Investigadores portugueses conseguiram fazer a primeira caracterização a nível mundial do genoma (transcriptoma) do mexilhão das fontes hidrotermais, permitindo criar a primeira base de dados sobre os genes deste animal, que vive no mar profundo.
«A criação desta base de dados, a primeira a nível mundial, é um grande salto evolutivo na investigação porque vai permitir perceber os mecanismos de adaptação do animal a condições extremas de sobrevivência», afirmou o investigador Raul Bettencourt, citado pela Lusa.
A investigação desenvolvida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores permitiu a aquisição de novos conhecimentos que podem vir a ter aplicação em áreas como a biotecnologia ou a medicina.
Em causa está a possível descoberta de genes com elevado valor biotecnológico ou de proteínas com propriedades anti-microbianas, que são utilizadas pelo animal para se defender dos microorganismos do meio ambiente em que vive.
No centro das atenções dos investigadores está o Bathymodiolus azoricus, um mexilhão que vive no campo hidrotermal Lucky Strike, a cerca de 1.700 metros de profundidade, na região da crista médio-atlântica, a 200 milhas a sudoeste do Faial.
16 September 2009 Surreal experiences boost brain power by Kate Melville
Psychologists at the University of California - Santa Barbara and the University of British Columbia have found that exposure to surrealism, by say, reading a book by Franz Kafka or watching a film by director David Lynch, enhances the cognitive mechanisms that oversee the implicit learning functions in the brain. The research was reported in the journal Psychological Science.
"The idea is that when you're exposed to a meaning threat - something that fundamentally does not make sense - your brain is going to respond by looking for some other kind of structure within your environment," said researcher Travis Proulx. "And, it turns out, that structure can be completely unrelated to the meaning threat."
Meaning, explains Proulx, is an expected association within one's environment. Fire, for example, is associated with extreme heat, and putting your hand in a flame and finding it icy cold would constitute a threat to that meaning.
In the study, the researchers asked a group of subjects to read an abridged and slightly edited version of Kafka's The Country Doctor, which involves a nonsensical - and in some ways disturbing - series of events. A second group read a different version of the same short story, one that had been rewritten so that the plot and literary elements made sense. The subjects were then asked to complete an artificial-grammar learning task in which they were exposed to hidden patterns in letter strings. They were asked to copy the individual letter strings and then to put a mark next to those that followed a similar pattern.
"People who read the nonsensical story checked off more letter strings - clearly they were motivated to find structure," said Proulx. "But what's more important is that they were actually more accurate than those who read the more normal version of the story. They really did learn the pattern better than the other participants did."
Importantly, the researchers have identified the beneficial effects of unusual experiences only in implicit pattern learning. It remains to be seen whether or not reading surreal literature would aid in the learning of studied material as well. "It's important to note that sitting down with a Kafka story before exam time probably wouldn't boost your performance on a test," noted Proulx.
He added that the element of surprise was critical. "If you expect that you'll encounter something strange or out of the ordinary, you won't experience the same sense of alienation. You may be disturbed by it, but you won't show the same learning ability. The key to our study is that our participants were surprised by the series of unexpected events, and they had no way to make sense of them. Hence, they strived to make sense of something else."
Físicos portugueses descobrem cinco novas partículas
Hoje
Uma equipa de físicos portugueses das Universidades de Coimbra e Lisboa descobriu cinco novas partículas subatómicas, chamadas "mesões", que um dos seus autores comparou a notas da partitura de uma nova música.
"Vejo tudo isto como pautas em que tentamos descobrir música a partir de poucas notas", disse hoje à Agência Lusa o físico teórico português de origem holandesa Eef van Beveren, do Centro de Física Teórica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
A existência dessa "música" começou a ser sugerida há meio século, mas só há 30 anos é que estes cientistas souberam que ela consistia em pautas ligeiramente diferentes, em que havia notas dispersas, "uma aqui, outra ali", mas sem sequência, explicou.
"E sem ter sequência era muito difícil adivinhar o aspecto geral dessa música", acrescentou.
O que fez a equipa - que inclui também os portugueses George Rupp, do Instituto Superior Técnico (IST), e Rita Coimbra (aluna de doutoramento), e o chinês Xiang Liu - foi descobrir cinco "notas" que faltavam à partitura.
Numa dessas pautas, a que os cientistas chamam "pauta de encanto e anti-encanto", foram descobertas há 30 anos seis notas que tinham propriedades idênticas, mas estavam em sítios diferentes.
"O que nós fizemos foi descobrir mais cinco e isso significa que temos agora uma sequência de 11 notas numa linha e isto já dá para descobrir qual é a música que está ser contada", afirmou Eef van Beveren. "A partir disto vamos fazer a sugestão de qual a música que está em todas as pautas".
O estudo, já aceite para publicação pela revista EuroPhysics Letters - uma revista europeia de referência no domínio da Física -, foi feito a partir de um modelo matemático único desenvolvido por van Beveren e George Rupp para decifrar os resultados de uma experiência realizada num acelerador de partículas japonês por um consórcio internacional de investigadores conhecido por Grupo Belle.
Foi no processo de análise e interpretação dos dados publicados em Agosto do ano passado por este grupo que a equipa portuguesa encontrou com "enorme surpresa e satisfação", no sítio certo, essas cinco partículas.
A descoberta foi recentemente confirmada na análise de outro conjunto de dados de outra experiência, realizada nos Estados Unidos, referiu van Beveren.
Embora haja mais trabalho experimental a fazer para confirmar a descoberta, o cientista considera-a "um passo de gigante" para aumentar o conhecimento na Física de partículas.
Van Beveren e George Rupp, que se conheceram na Holanda, desenvolvem um longo trabalho de colaboração, tendo escrito o primeiro artigo conjunto em 1980.