Um grupo de investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto (IBMC) descobriu a origem geográfica da ataxia espinocerebelosa do tipo 10, uma doença rara que se caracteriza por uma perda de coordenação motora e pode provocar, em alguns doentes, crises de epilepsia.
O estudo efectuado comprova a existência de uma origem ameríndia comum para a ataxia espinocerebelosa do tipo 10 (SCA10). Esta origem era até agora desconhecida e tinha suscitado diferentes debates ao longo dos últimos anos.
O SCA 10 apenas tinha sido encontrado em populações miscigenadas de origem portuguesa e espanhola com ameríndia. Os resultados demonstram que as famílias com SCA 10 da América Latina partilham um grupo de características genéticas que são transmitidas em conjunto ao longo de gerações.
As semelhanças genéticas indicam a presença de um antepassado comum. A hipótese de uma origem ameríndia da doença é reforçada pelo facto de esta mutação não estar presente na população portuguesa e espanhola.
No grupo das doenças raras com prevalência de menos de dez casos em cada 100 mil indivíduos, a prevalência da SCA10 é das menos frequentes. Em todo o mundo estão recenseadas apenas onze famílias com esta mutação.
Os investigadores consideram, no entanto, ser importante a realização de testes genéticos de despiste de SCA10 em populações com origem ameríndia da América do Norte e do Sul, por apresentarem um maior risco de possuírem esta mutação.
expresso
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Ciência em português
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domingo, 22 de fevereiro de 2009
Lagoa Henriques
| Morreu o escultor Lagoa Henriques |
| A Madeira 'guarda' várias obras do mestre |
| Data: 22-02-2009 |
| O escultor Lagoa Henriques faleceu sábado à noite em Lisboa, aos 85 anos de idade, de doença prolongada, informou hoje fonte da sua família. Mestre e motivador de sucessivas gerações de criadores artísticos, autor de desenhos e esculturas notáveis, poeta, conferencista e coleccionador de peças tão diversas como pinturas, conchas, livros, troncos de árvores e outros acervos, segundo o seu site na Internet, Lagoa Henriques "deixa um vazio" no círculo em que se movimentava. Iniciou os seus estudos artísticos no Curso Especial de Escultura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1945, e em Julho de 1948 passou para a Escola de Belas-Artes do Porto, onde posteriormente foi professor. Concluiu o Curso Superior de Escultura em 1954, na Escola de Belas-Artes do Porto, com a apresentação de um trabalho de pleno relevo classificado com a nota máxima de 20 valores, a escala utilizada à época. O féretro de Lagoa Henriques, autor da escultura representativa do poeta Fernando Pessoa que se encontra na esplanada do Café Brasileira, no Chiado, em Lisboa, estará a partir de hoje em câmara ardente no seu atelier em Belém, também em Lisboa, a partir das 18 horas e até às 23 horas, com funeral marcado para segunda-feira no Cemitério da Ajuda, às 10h30. 'A Terra e o Mar', Sissi, a Alegoria e a estátua de João Paulo II O mestre deixa na Madeira uma vasta obra em que se inclui a estátua da lendária imperatriz da Áustria, Sissi, instalada junto ao Casino Park Hotel. A estátua de João Paulo II, no adro da Sé, 'A Terra e o Mar', duas figuras de bronze implantadas no basalto na praia das Palmeiras, em Santa Cruz e a alegoria nos Serviços Sociais. |
| Lusa |
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Viva a Argentina!
| Argentina expulsa bispo
|
"Celebramos a declaração do governo nacional porque é inaceitável negar o Holocausto num país que participa da International Task Force para a investigação do Holocausto. Não vamos tolerar mais acções anti-semitas e discriminatórias", afirmou Aldo Donzis, presidente da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (DAIA).
"Não é possível negar o Holocausto. Creio que certa gente não favorece a convivência e a paz social da qual tanto necessita o nosso país", coincide Julio Schlosser, secretário-geral da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), a mesma que em 1994 sofreu um atentado anti-semita que deixou 85 mortos e mais de 300 feridos.
"Sem comentários", limitou-se o porta-voz do Vaticano, Franco Lombardi.
Há quase seis anos na Argentina, Richard Williamson tem 10 dias para abandonar o país. Através de um comunicado, o Departamento de Migrações intimou o sacerdote a deixar a Argentina nesse prazo caso contrário será decretada a sua expulsão.
Tecnicamente, negar o Holocausto não é um delito no país. Mas o governo argentino encontrou um argumento legal. A resolução oficial sustenta que Williamson forjou a sua declaração de ingresso temporário à Argentina em Setembro de 2003, insistiu na irregularidade na renovação em Fevereiro de 2004 e na concessão de residência permanente em Fevereiro de 2008.
De acordo com os registos, declarou ser funcionário administrativo da Associação Civil "La Tradición", quando, na verdade, exercia como sacerdote e director do seminário lefebvrista que a Fraternidade São Pio X possui no município de Moreno, na periferia de Buenos Aires.
A fraternidade é uma ala ultra-conservadora e dissidente da Igreja Católica. A atividade religiosa não é reconhecida pelo governo argentino. A falsificação reiterada na informação foi mostrada pela comunidade judaica argentina -a maior da América Latina- como mais uma mentira do bispo.
"Para o governo argentino, é intolerável a presença irregular no país de uma pessoa que ofendeu a humanidade com manifestações anti-semitas", concluiu o ministro do Interior, Florencio Randazzo.
O texto da resolução não deixa dúvidas de que o argumento técnico é complementar ao verdadeiro motivo que levou as autoridades argentinas a expulsar Williamson.
"A República Argentina não deve perder esta oportunidade de reafirmar que o anti-semitismo é uma aberração ideológica que ao longo da história custou milhões de vidas de seres humanos e que a negação da Shoá implica o desconhecimento de uma verdade histórica comprovada", pode ler-se no comunicado em alusão às palavras do bispo Williamson.
Para o governo argentino, "as declarações que colocam em dúvida que o povo judeu tenha sido vítima do Holocausto são uma profunda agressão à sociedade argentina, ao povo judeu e à toda a Humanidade".
Na zona de quintas nos arredores de Buenos Aires, membros da Fraternidade rejeitaram a decisão do governo porque o sacerdote não teria cometido nenhum delito, segundo a lei argentina. "Se aplicarmos o mesmo pretexto administrativo, vamos expulsar todos os estrangeiros do país", alegou um membro da comunidade.
Pressão judaicaA decisão do governo argentino surgiu depois de pedidos da comunidade judaica. A Chancelaria argentina esclareceu que a medida não implica nenhum atrito com o Vaticano porque o sacerdote estava excomungado formalmente quando entrou na Argentina.
O Papa Bento XVI suspendeu essa excomunhão recentemente, mas a situação jurídica da Fraternidade São Pio X continua sem reconhecimento tanto da Igreja Católica quanto do governo argentino.
O Instituto argentino contra a Discriminação, contra a Xenofobia e contra o Racismo (INADI) havia pedido ao bispo que ratificasse ou que rectificasse as suas polémicas declarações. O sacerdote respondeu que o Instituto não tem competência para o julgar.
Na semana que vem, o INADI apresentará um projecto de lei que classifica como um delito a negação do Holocausto, o genocídio arménio e os crimes de ditadura argentina.
Onda de protestosA anulação da excomunhão de Williamson e de outros três bispos lefebvrianos pelo Papa Bento XVI em 24 de Janeiro desencadeou uma onda de protestos pelo mundo e uma crise que ameaçou as relações da Igreja Católica com a comunidade judaica, além de afetar a imagem do Papa.
Os quatro tinham sido excomulgados por João Paulo II em Julho de 1988 por terem sido ordenados bispos pelo arcebispo Marcel Lefebvre (morto em 1991), quem protagonizou um cisma católico devido as suas posturas reaccionárias.
O perdão de Bento XVI sem uma retratação prévia envolveu na indignação até mesmo um chefe de governo europeu, a alemã Angela Merkel, quem pediu um esclarecimento ao Pontífice.
Dois dias antes da decisão da Santa Sé, foi relembrada uma entrevista de Novembro de 2008 à TV sueca na qual Richard Williamson declarava ter a convicção de que "as evidências históricas estão imensamente contra o facto de seis milhões de judeus terem sido assassinados em câmaras de gás". (veja o vídeo no final deste artigo)
"Não houve câmara de gás (...). Creio que 200 a 300 mil judeus morreram nos campos de concentração, mas nenhum nas câmaras de gás", afirmou então Williamson.
Posteriormente (12 de Fevereiro), o Papa condenou tais declarações porque negar o Holocausto era "intolerável e inaceitável". Bento XVI pediu que Williamson se retratasse, mas o sacerdote negou-se a pedir desculpas.
Numa entrevista à revista alemã "Der Spiegel", o bispo inglês disse que deverá estudar as "evidências históricas" e "não as emoções" antes de uma possível correcção das suas declarações. O Vaticano esclareceu que os lefebvristas continuam sem formar parte da Igreja Católica.
Há duas semanas, o bispo Williamson fora afastado do seu cargo à frente do seminário nos arredores de Buenos Aires, após o escândalo mundial que as suas palavras provocaram.
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Bishop Richard Williamson - Gas Chambers, Anti-Semitism and the Truth
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Telma
Em Hamburgo
Telma Monteiro conquista medalha de ouro
A atleta portuguesa venceu a adversária chinesa na categoria – 57 kg.
Rui Rosa, treinador da judoca, considerou que a vitória é importante e revelou que estão a preparar-se para os campeonatos europeu e mundial.
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Brígida Pereira Neves
Brígida Pereira Neves é a única ocidental a dançar na China
22.02.2009 - 13h33 Lusa
A portuguesa Brígida Pereira Neves, de 24 anos e natural de Cascais, é a única bailarina ocidental a integrar uma companhia chinesa, o Ballet Clássico da Manchúria. Ontem à noite, actou pela primeira vez em Portugal como bailarina profissional.
Brígida entrou em Dezembro de 2007 para a companhia de Ballet Clássico da Manchúria, da cidade chinesa de Shenyang, que actuou ontem em Vila Real.
O Ballet Clássico da Manchúria ou Liaoning, uma das mais importantes companhias de ballet da China, levou "O Último Imperador" a Trás-os-Montes, naquele que foi um espectáculo único em Portugal.
Brígida Pereira Neves disse que decidiu que queria ser bailarina muito cedo.
"Aos três anos comecei a chorar e disse à minha mãe que queria ir para as aulas de ballet. Apesar de ser muito pequena, a professora aceitou-me. Não sei porquê, mas sempre foi o meu sonho", afirmou.
O sonho de menina levou-a para Londres aos 16 anos, onde estudou ballet e dança contemporânea.
A persistência fê-la atravessar o Atlântico rumo aos Estados Unidos da América (EUA), onde o azar lhe bateu à porta: partiu um pé e regressou a Portugal, onde foi operada. "Tive medo que fosse o fim da minha carreira, mas seis meses depois voltei a dançar".
De novo em Londres, surgiu a oportunidade de ir para a China, para integrar uma companhia nova de ballet que, afinal, segundo a jovem, se revelou ser de cabaret. "Ao fim de uma semana decidi que não era aquilo que queria fazer e fui para Hong Kong", salientou. Em Hong Kong, Brígida deu aulas de inglês e de ballet a crianças para ganhar dinheiro ao mesmo tempo que ia a audiências. Cinco meses depois integrou a Liaoning.
A portuguesa é actualmente a única bailarina dos continentes Europeu e Americano a actuar numa companhia de ballet na China. Apenas mais um russo dança naquele país oriental.
Na China, diz Brígida, grande parte das companhias não aceitam profissionais estrangeiros.
"A língua foi um pouco uma barreira, mas os colegas foram o mais simpáticos possível e logo no primeiro dia disseram que éramos todos amigos. A integração não foi difícil. Desde o início fizeram-me sentir muito bem vinda", afirma.
Em Shenyang, Brígida tem pouco tempo livre. Os ensaios duram das 09h00 às 18h00, às vezes sete dias por semana, e, nos dias de espectáculo, o trabalho chega a terminar já depois das 00h00.
Quanto ao futuro, apenas diz que quer dançar até quando lhe for permitido e integrar companhias de outros países, entre os quais Portugal.
"Estou sempre à procura de novos desafios", salientou.
Com a Liaoning, a portuguesa já fez várias tournées pela China e até dançou na abertura dos Jogos Olímpicos. Também já foi aos EUA e passou por Portugal, no âmbito de uma digressão pela Península Ibérica que termina hoje na Corunha, Espanha.
Esta produção de "O Último Imperador" conta com cerca de 50 bailarinos e harmoniza o ballet clássico com as tradições chinesas. A história, que foi imortalizada no filme de Bernardo Bertolucci com o mesmo nome (vencedor de nove Óscares), retrata a saga de Pu Yi, último imperador da China, investido com apenas três anos e deposto pelo governo revolucionário aos 24 anos.
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